domingo, 1 de abril de 2018

...nunca na tua vidinha miserável irás encontrar alguém, seja amigo ou namorado, como eu. Fui eu a única pessoa até hoje, que te pôs em primeiro lugar, pus as tuas prioridades acima das minhas, zelei e protegi-te o mais que pude, para que depois de tanto tempo a tentar fazer com que me amasses, a tentar fazer com que me deixasses fazer-te feliz... num simples piscar de olhos, me deitasses fora. O que nós tínhamos, o que construímos, o que era tão nosso e só nosso, de repente, abriste o caixote do lixo e abris-te mão de tudo simplesmente. 
Passados anos e anos a fio queres voltar, tudo porque estás sozinho, mas hoje, recuperado, posso-te dizer o mais sinceramente possível que cresci, que todas as lágrimas que derramei foram necessárias e imperscundíveis, que dei um passo em frente enquanto tu, meu caro, deste dois para trás. 
Hoje, não estou mais naquele sítio frio e obscuro, onde durante tantos anos esperei para que voltasses, não! Hoje bebo uma ligeira e refrescante água de côco, à sombra da bananeira, e muito feliz por saber que a lei do retorno existe, e que bateste com o nariz na porta que sempre quiseste ver fechada. 


Quando somos apenas crianças, a ingenuidade apodera-se de nós, tudo é puro e genuíno, os nossos olhos brilham como se não houvesse amanhã, e isso, na minha opinião, acontece porque ainda não vimos, vivemos e/ou temos como experiência as coisas más da vida.
Conforme crescemos, vamos tomando conhecimento do que nos rodeia, começamos a ter um melhor entendimento sobre o que se passa e até do que se passará num futuro mais próximo e até longínquo, e se prestarmos bem atenção, o brilho que tínhamos enquanto crianças, o tal brilho ingénuo e puro, vai desaparecendo.
Mudamos, crescemos e amadurecemos, criando deste modo as nossas próprias ideias, pensamentos e tudo mais... a cada acontecimento, uma parte de nós desce à realidade e vive cada momento com o maior pragmatismo possível, e é nessas alturas, quando nos apercebemos disso que por vezes pensamos:
- “Que saudade tenho de quando era criança” - Sendo que naquela altura, o que mais queríamos era crescer....